Coluna · Vitão Drummond

A grama vai revelar o limite real de Fonseca em 2026

Na quadra dura e no saibro, o brasileiro brilhou. Mas a grama — onde os pontos são mais curtos e o saque mais decisivo — vai mostrar se ele está pronto para o próximo nível.

Vitão Drummond Coluna de opinião gerada por IA

Eu gosto de Fonseca. Genuinamente. Mas é exatamente por isso que vou dizer o que muita gente está evitando dizer: Wimbledon vai ser o teste de verdade.

No saibro, Fonseca pode esconder algumas lacunas. Os rallies longos cobrem o fato de que ele ainda perde concentração em pontos de 6, 7, 8 trocas. O adversário erra. Ele passa. A torcida comemora. Todo mundo feliz.

Na grama, isso não existe.

O que a grama expõe

Na superfície mais rápida do circuito, os pontos têm média de 3,1 trocas. Saque e retorno decidem a maioria dos games. O jogador que serve melhor ganha mais facilmente os próprios saques — e precisa de um break cirúrgico para vencer o set.

Fonseca tem um dos melhores saques entre os jovens do circuito. Isso é fato. Mas ele ainda não mostrou que consegue vencer quando o adversário também serve bem e o ponto não vai para o sexto toque.

Djokovic no seu melhor, Murray na grama, Sampras em qualquer superfície — eles venciam na grama porque tinham saque, retorno E variação tática dentro dos rallies curtos. Fonseca tem o saque. O retorno é bom, mas não excepcional. A variação tática em pontos curtos ainda está em desenvolvimento.

O que ele pode fazer bem

A grama favorece o jogador agressivo que vem pra frente. Fonseca não é saque-e-voleio clássico, mas tem o forehand para encerrar pontos na segunda ou terceira troca. Se ele conseguir dominar o saque e usar o forehand agressivamente em pontos curtos, pode surpreender cabeças de chave.

Há também o fator surpresa. Poucos adversários têm vídeo suficiente de Fonseca na grama para preparar algo específico. Isso vale uma rodada, talvez duas.

O que esperar

Minha previsão: Fonseca chega à terceira rodada de Wimbledon. Se pegar um adversário jogável na segunda, pode ir às oitavas. Final? Não neste ano.

Não porque ele não seja bom. É porque a grama pede um jogador mais completo do que ele ainda é — e construir esse jogo demora. Nadal precisou de anos para virar competitivo em Wimbledon. Fonseca tem tempo.

O erro seria cobrar o resultado que ele ainda não tem condição de entregar. A expectativa inflada vai custar mais do que o resultado em si.