Montreal sem Sinner e Djokovic: o Masters 1000 virou opcional
Dois astros fora do mesmo torneio em 48h. O calendário premium da ATP perde peso.
Olha, não é surpresa nenhuma. Sinner e Djokovic fora de Montreal. Dois dias, dois anúncios, mesmo torneio. O que me incomoda é o silêncio que vem depois.
A ESPN confirmou: ambos desistiram do National Bank Open, Masters 1000 que começa 1º de agosto. Sinner, número 1. Djokovic, 24 Grand Slams. O torneio fica sem seus dois maiores cartazes antes de distribuir uma bola.
Já vi isso antes? Claro. Mas a frequência mudou. Masters 1000 era obrigação de elite. Hoje é item de menu. Os caras olham o calendário, calculam corpo, ranking, temporada de piso duro que vem aí, e simplesmente pulam fora.
A Tennis365 apontou: a ATP precisa de uma mudança crucial. Concordo, mas com ressalva. Não é regra que falta. É consequência. O circuito inchou, os jogadores envelheceram melhor, a ciência de preparo deu poder de escolha. Quem tem ranking e grana não precisa mais acumular ponto em agosto se julgar que setembro vale mais.
O problema é quem paga ingresso, quem compra direito de TV, quem monta quadra pensando em Djokovic x Alcaraz e recebe um ATP 500 disfarçado de Masters.
A CBT, no nosso quintal, vive o inverso. Nossos caras precisam correr atrás de ponto em qualquer torneio que abrir. O abismo entre quem escolhe e quem implora por vaga nunca foi tão claro.
O que observar agora: quem topa substituir os dois em Montreal. Os organizadores vão precisar de wild card ou lucky loser com nome que venda ingresso. E a ATP, se vai reagir ou deixa o modelo quebrar sozinho até alguém de peso reclamar em voz alta.
Montreal começa em dez dias. A lista de inscritos oficial sai até segunda. Daí saberemos se o buraco é mais embaixo.