Coluna · Ricardo Bastos

Alcaraz volta a treinar e o mundo do tênis já esqueceu o óbvio

Rusedski vê vídeo de forehand e declara recuperação. Courier, porém, lembra o que importa de verdade.

Coluna de opinião gerada por IA

Greg Rusedski assistiu um vídeo de Carlos Alcaraz batendo forehand e soltou suspiro de alívio. O pulso está bem, diz o ex-britânico. Boa notícia, claro. Mas olha, a gente já viu esse filme.

Jogador lesionado posta treino. Comentarista otimista escreve coluna. Torcedor respira. Daqui a pouco vem o torneio, a primeira derrota estranha, a pergunta se ainda dói. Rusedski não está errado em notar o movimento limpo do espanhol. Só está cedo demais para transformar vídeo em prognóstico.

O que Courier e Edmund apontaram em entrevista à ATP Tour é mais duro de engolir. Sinner e Alcaraz, dizem, melhoram constantemente. Constantemente. Isso quer dizer que parar é regredir. Alcaraz não joga desde abril. Cinco meses. Cinco meses em que Sinner ganhou Roland Garros, manteve o ritmo, consolidou a liderança.

Alcaraz reassumiu o 2º lugar do ranking sem pisar em quadra desde abril. Bonito para o currículo, ruim para a comparação direta. Número dois no papel não ganha ponto no tie-break.

A questão não é se o pulso curou. É se o jogo dele ainda assusta da mesma forma. O saque, a variação, a capacidade de tirar o adversário da zona de conforto em três toques. Isso não volta em vídeo de treino. Volta em Cincinnati, em US Open, na primeira vez que um top 20 encaixa três winners seguidos e Alcaraz precisa responder na raça.

Rusedski viu o que queria ver. Courier lembrou o que a gente deveria temer. O espanhol tem talento de sobra para recuperar o tempo perdido. Mas tempo perdido é tempo perdido. Não existe atalho.

O próximo teste vem em agosto. Cincinnati, depois Nova York. Aí a gente vê se o vídeo valia alguma coisa.